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Motivação

Não siga sua paixão: siga uma rotina

Desde que comecei o blog, recebo pedidos de amigas para escrever sobre como manter a motivação para fazer exercícios, não cometer o erro de pagar uma academia para depois não ir e superar o sofrimento que é sair do sedentarismo. Nessa hora, sempre rola uma dorzinha, um esforço que parece insuperável. E isso faz muita gente desistir.

Disciplina para atingir objetivos

Disciplina para atingir objetivos

Como já comentei aqui, tenho conseguido algo inédito: frequentar uma academia por mais de três meses, vendo uma certa evolução corporal e de desempenho. Mas agora a questão é outra: se isso foi possível, por que não consigo tirar do papel outras resoluções mais importantes, como ler todos os livros que estão na estante me esperando?

Navegando na web, encontrei um artigo muito interessante da psicóloga social Heidi Grant Halvorson, especializada em ciência da motivação, com dicas de como se forçar a trabalhar quando não há disposição.

Os conselhos não são nada do tipo “siga sua paixão!” ou “seja positivo!”. Afinal, este tipo de recomendação não funciona para todo mundo e pode trazer alguns problemas como os descritos abaixo. O bacana do texto dela é que reúne técnicas muito eficazes e garante resultados reais para seu projeto, seja ele qual for: entrar em forma, ler mais, aumentar a produtividade, etc.

Resumidamente, as sugestões de Halvorson estão ligadas às razões que levam você a procrastinar e adiar o que realmente precisa fazer.

Razão 1: você adia a tarefa porque tem medo de estragar tudo

Solução: adote um foco preventivo.

Há várias formas de olhar para uma tarefa. Você pode agir porque vê o que faz como um jeito de melhorar sua situação atual, como uma realização pessoal ou como uma conquista. Por exemplo, “se eu finalizar tal tarefa, vou impressionar meu chefe”, ou “se fizer exercício regularmente, vou ter um corpo sensacional”. Cientistas chamam essa lógica de foco promocional. No entanto, se você tem medo de estragar tudo, este NÃO é o seu método.

Assim, o ideal seria adotar um foco preventivo, isto é, em vez de ver a tarefa como uma realização ou objetivo, adote um ponto de vista de prevenção de perdas, fazendo o possível para manter o que já tem. Completar um projeto com sucesso significaria evitar que seu chefe fique irritado ou que pense que você não dá conta do recado. Fazer exercício seria um meio de não se descuidar, de manter a forma atual. Segundo pesquisas descritas no livro Focus, escrito por Halvorson, a ansiedade criada pelo medo de que algo dê errado serviria para potencializar a motivação preventiva. Quando você se foca em evitar perdas, fica claro que necessita sair da zona de perigo e partir para a ação.

Razão 2: você procrastina porque não tem vontade de fazer o que precisa

Solução: ignore seus sentimentos; eles estão se adaptando à sua meta.

Halvorson cita um livro chamado The Antidote: Happiness for People Who Can’t Stand Positive Thinking (ou O Antídoto: Felicidade para Pessoas que não Suportam Pensar Positivo). De acordo com o autor, Oliver Burkeman, quando dizemos “não consigo levantar cedo”, ou “não consigo fazer exercício”, o que realmente queremos dizer é que não nos vemos ou não nos sentimos à vontade fazendo essas coisas. Mas quem disse que precisamos ter inspiração para começar a fazer algo? Sim, você precisa estar comprometido com o que quer: ver o projeto finalizado, ser mais saudável, começar o dia mais cedo. Mas não precisa de inspiração para tal. Burkeman acredita em rotinas de trabalho que obrigam qualquer um a fazer o que deve mesmo sem inspiração.

Então, lembre-se de que deixar de agir porque não há vontade é besteira. Não há nada real que impeça você de fazer o que deseja, e não é preciso inspiração para realizar esses projetos.

Razão 3: você está evitando algo chato, pouco prazeroso

Solução: use o plano se > então

Geralmente, a gente se apoia no “eu vou” para resolver um problema particular: “da próxima vez, eu vou me obrigar a trabalhar nisso mais cedo”. Claro, se realmente tivéssemos força de vontade para fazer o que está na agenda, nunca adiaríamos o plano de primeira. Pesquisas revelam que as pessoas costumam superestimar a própria capacidade de autocontrole, e recorrem a ela muito comumente para escapar de problemas.

Mas faça um favor a si mesmo: veja que sua força de vontade é limitada e que nem sempre vai ser capaz de dar conta do desafio de fazer o que considera difícil, tedioso ou chato. E aí é quando deve recorrer ao plano se > então. Com ele, além de decidir passos específicos para completar um projeto, você também decide onde e quando vai colocá-los em prática.

Por exemplo: “se são duas da tarde, vou parar o que estiver fazendo e trabalhar no informe para o Bob”. Ou “se meu chefe não mencionar meu pedido de aumento em nosso encontro, vou trazer o tema à tona outra vez antes de a reunião acabar”.

Essa estratégia evita que você tome decisões no calor do momento, pois sabe com antecedência o que tem de ser feito. Não sobra espaço para pensar: “tenho realmente que fazer isso agora ou posso adiar?” É nessas horas que fazemos ponderações que podem ser negativas e que nossa força de vontade se torna necessária para uma escolha consistente. Aí, a técnica do se > então reduz drasticamente a demanda sobre a força de vontade, assegurando que você tomará a decisão correta muito antes da fase crítica. Esse método demonstrou um aumento de produtividade dos entrevistados de 200% a 300%.

Essas três estratégias não são tão fáceis de engolir como um “siga seus sonhos!”, mas são boa opções se você tem dificuldade para manter o foco ou dar continuidade a um projeto: seja o do corpo saudável ou qualquer outro que considere importante.

Via Harvard Business Review